Paula Caroline, Psicóloga Clínica
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Saúde Mental

TDAH: sinais, diagnóstico e tratamento

06 de agosto de 2026 · 5 min de leitura

Criança e adulto conversando em ambiente acolhedor sobre TDAH

"Ele não presta atenção porque não quer." "Ela é agitada demais, é falta de educação." Frases assim são comuns — e quase sempre erradas. O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento, não um problema de caráter, de criação ou de esforço. Entender isso é o primeiro passo para lidar com ele de forma mais leve, dentro e fora de casa.

O que é o TDAH

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, presente desde a infância, que interfere no funcionamento da pessoa em mais de um ambiente — em casa, na escola, no trabalho ou nas relações. Não é uma fase, não é falta de disciplina e não desaparece "quando a criança crescer": em boa parte dos casos, os sintomas continuam, de forma diferente, na vida adulta.

Sinais de TDAH em crianças

Alguns sinais que costumam chamar atenção de pais e professores:

  • Dificuldade para manter a atenção em tarefas, brincadeiras ou conversas
  • Esquecimento frequente de combinados, materiais escolares ou pertences
  • Agitação motora, dificuldade para ficar sentado ou parado
  • Impulsividade: interromper os outros, responder antes de a pergunta terminar
  • Dificuldade para seguir instruções com várias etapas
  • Queda de rendimento escolar não explicada por falta de capacidade

Sinais de TDAH em adultos

No adulto, a hiperatividade costuma dar lugar a uma sensação interna de inquietação. Os sinais mais comuns incluem:

  • Procrastinação recorrente e dificuldade para organizar tarefas do dia a dia
  • Esquecimentos frequentes: compromissos, contas, prazos
  • Dificuldade de concentração em reuniões, leituras ou conversas longas
  • Impulsividade em decisões financeiras, profissionais ou em relacionamentos
  • Sensação de estar sempre "correndo por dentro", mesmo em repouso
  • Histórico de dificuldades escolares ou profissionais desde a infância

Como é feito o diagnóstico

Não existe exame de sangue ou de imagem que diagnostique TDAH. O diagnóstico é clínico, feito por psiquiatra ou neurologista, com apoio de avaliação psicológica, a partir de critérios como os do DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). De forma resumida, o manual exige:

  • Vários sintomas de desatenção e/ou de hiperatividade-impulsividade, presentes há pelo menos 6 meses
  • Sintomas em pelo menos dois ambientes diferentes (por exemplo, casa e escola, ou casa e trabalho)
  • Início de parte dos sintomas antes dos 12 anos de idade
  • Prejuízo real no funcionamento social, escolar ou profissional
  • Exclusão de outras condições que expliquem melhor o quadro

A avaliação psicológica entra justamente aqui: ajudando a mapear como os sintomas afetam a vida da pessoa e da família, e diferenciando o TDAH de outras causas de desatenção, como ansiedade, depressão ou sobrecarga emocional.

TDAH tem tratamento

Sim, e o tratamento costuma funcionar melhor quando combina mais de uma frente:

  • Acompanhamento médico, quando indicado, incluindo avaliação sobre uso de medicação
  • Psicoterapia, para desenvolver estratégias de organização, regulação emocional e autoconhecimento
  • Orientação familiar e escolar, para que o ambiente em volta da pessoa também se adapte
  • Rotina estruturada, com apoios visuais, lembretes e metas menores e mais claras

O papel da família no TDAH

É aqui que a Terapia Sistêmica da Família faz diferença. O TDAH não afeta só quem tem o diagnóstico — afeta a dinâmica de toda a casa. Pais se desgastam repetindo os mesmos pedidos, irmãos comparam desempenho, a criança ou o adulto com TDAH acumula cobranças e frustração.

Trabalhar a família como um sistema ajuda a:

  • Substituir cobrança e culpa por combinados claros e possíveis de cumprir
  • Entender qual parte do comportamento é sintoma, e qual parte é reação do ambiente ao sintoma
  • Fortalecer a relação entre pais e filhos, reduzindo o clima de tensão em casa
  • Diminuir a ansiedade que costuma acompanhar o TDAH, tanto na criança quanto nos pais

Perguntas frequentes sobre TDAH

TDAH é a mesma coisa que falta de disciplina? Não. TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento, com base biológica, reconhecida pelo DSM-5-TR e pela CID-11 da Organização Mundial da Saúde. Repreensão e "mais disciplina" não tratam o transtorno.

TDAH em adultos existe mesmo, ou é só um sintoma de ansiedade e rotina agitada? Existe, e é frequentemente subdiagnosticado. Estudos indicam que boa parte das pessoas com TDAH na infância continua com sintomas ou prejuízo funcional na vida adulta, ainda que a hiperatividade apareça de forma mais discreta.

Só psiquiatra pode diagnosticar TDAH? O diagnóstico formal é médico (psiquiatra ou neurologista), mas a avaliação psicológica é parte importante do processo, ajudando a investigar sintomas, histórico e impacto na vida da pessoa.

Psicoterapia substitui a medicação no TDAH? Não necessariamente — são frentes complementares. A decisão sobre uso de medicação é médica; a psicoterapia trabalha estratégias, autoconhecimento e o impacto do TDAH nas relações e na rotina.

Meu filho pode ter TDAH mesmo tirando boas notas? Sim. Desatenção e impulsividade podem coexistir com boas notas, especialmente quando a criança compensa com esforço extra. O prejuízo pode aparecer mais em organização, comportamento ou relações do que no boletim.

Buscando entender melhor o que está acontecendo?

Se você reconheceu esses sinais em você, no seu filho ou na sua família, o próximo passo é conversar com um profissional. A psicoterapia ajuda a organizar o que fazer com esse diagnóstico — ou com essa suspeita — no dia a dia.

Referências

  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th ed., text revision (DSM-5-TR). Washington, DC: APA, 2022.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). ICD-11 for Mortality and Morbidity Statistics — Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Genebra: OMS, 2019/2022.
  • Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). Entenda o TDAH nos critérios do DSM-5. Disponível em: https://tdah.org.br/
  • World Federation of ADHD. International Consensus Statement on ADHD, atualização 2021.

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